
Quando eu era pequena, meu pai sempre trazia da padaria um chocolate pra mim e um pra minha mãe. Eu dizia que aquele era meu chocolate preferido, lembro que ele tinha pedaços de castanha... Mas aquele não era meu chocolate preferido porque eu havia experimentado vários e gostado mais daquele, era meu preferido pelo que representava. Eu sabia que aquele chocolate significava que meu pai havia lembrado de mim, e de alguma forma me amava. O tempo passou e ele deixou de trazer... Então um dia, depois de alguns anos, fui naquela mesma padaria e comprei o chocolate. Foi quando entendi que aquele nunca tinha sido meu preferido, que na verdade ele era como qualquer outro. Não fazia sentido compra-lo, não era a mesma coisa come-lo. Essa foi a primeira vez que me senti só.






